A geração dos makers e as relações de consumo

Você já ouviu o termo “Faça Você Mesmo”? Ela vem do Inglês “Do It Yourself” e se tornou bastante comum, principalmente em campanhas de materiais de construção e decoração. A popularidade do DIY (do it yourself) vem ganhando novos significados e inspirando a nova geração de “era dos makers”. Conceito que foi popularizado em 2006 na Make Faire, realizado na Califórnia. A era dos makers vem sendo impulsionada, sobretudo, por tecnologias de impressão em 3D, customização de drones e tudo que possa envolver a tecnologia. A IKEA, fábrica Sueca de móveis incorporou esse conceito, trazendo para seus clientes móveis acessíveis e com belo design e que se permite a customização por parte dos consumidores.

Em 2016, os Estados Unidos lançaram um chamado de “nação de fazedores”, com o objetivo de gerar novos empregos e industrias nos próximos anos. “Alguns anos atrás, se desejássemos construir algo, deveríamos esperar ou até adaptar alguns produtos existentes no mercado, ou seja, dependíamos de uma grande empresa decidir fazer algo e só então poderíamos consumir um produto dentro do leque de opções restrito ao portfólio oferecido”, lembra Rafael Arevalo, um dos responsáveis pelo Projeto Tato, que utiliza esculturas digitais 3D para que deficientes visuais tenham acesso à arte.

Grandes empresas que hoje são grandes centros de distribuição, deixarão esta função para se tornarem grandes centros de impressão.Segundo Heloisa Neves, fundadora do WeFab, há outro aspecto da cultura maker, utilizado no processo de cocriação. Além da interação entre prototipagem, agilidade e colaboração, outras metodologias estão entrando, como lean startup e o design thinking. Empresas como Fiat, Itaú, Natura, Decathlon, Red Bull, entre outras já desenvolveram projetos makers.

O termo prosumers remete aos consumidores que fabricam ou codesenham seus próprios objetos “O fato ainda é recente, mas vemos cada vez mais o fator personalização como um caminho a ser também incorporado por empresas em seus processos a fim de que o consumidor seja tratado como um parceiro do processo e não somente alguém que escolhe uma marca ou produto desenhado para um consumidor mediano”, diz Heloisa.

A cultura maker não afeta somente as relações de consumo, ela também influencia a educação, que, por consequência, os futuros consumidores. Isso permite com que os alunos tomem conta de seus processos de aprendizagem e proponham soluções. “O movimento maker é filho da revolução open-source e de outros movimentos como o free software e correntes artístico-políticas das décadas de 1960 e 1970. Todas elas buscavam a quebra de hierarquias e monopólios. O espírito dessas revoluções está presente nas muitas tendências atuais, uma vez que foram responsáveis por uma mudança de visão e de padrões para algo além do seu tempo”, explica Juliana Caetano, consultora em tecnologias educacionais. Na área da educação, o movimento maker populariza a ideia de quebra de hierarquia, mudando o foco para a relação aluno-professor e aluno-conhecimento, incentivando a ideia de integração e ação, e não mais uma relação de poder um sobre o outro.

Um estudo da consultoria estadunidense Wohler Associates aponta que os negócios com impressoras em 3D movimentaram US$ 5,1 bilhões no mundo em 2016, tendo alta de 30% em relação ao ano de 2015. A estimativa é de que até 2020 o total deste mercado seja de R$ 21 bilhões. A Faber-Castell é exemplo de empresa que investe no conceito de makers por meio da plataforma digital Inspirarte. “Queremos inspirar momentos de criatividade lembrando às pessoas que o mundo pode ser mais colorido. Com o passar do tempo, as pessoas não priorizam esses momentos devido à rotina cada vez mais corrida. O universo digital é muito amplo e pode nos ajudar a estimular constantemente a imaginação”, diz Eduardo Ruschel, diretor de marketing e inovação da Faber-Castell.

Fonte: M&M

About the author: Graziela Tamanaha

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