Os desafios do design inclusivo

A partir do design temos muita história para contar, desde seus registros encontrados em tempos passados até as modernidades atuais. Para os dias de hoje, o design precisa ser mais que somente bonito, precisa ser funcional.

Com base na pirâmide etária da população brasileira realizada pelo Censo, o número de idosos aumentará relativamente até 2060.

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Já as pessoas portadoras de necessidades especiais estão cada vez mais presentes nas atividades empresariais diárias.

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August de los Reyes, diretor de design do Pinterest, alerta os profissionais da área para repensarem seus projetos e conceitos sobre acessibilidade – “estamos longe de entender o potencial do design em relação à inclusão”. Recentemente, Reyes tornou-se embaixador do Desafio Mobilidade Ilimitada, uma iniciativa da Toyota Mobility Foundation e do Challenge Prize Centre da Nesta.

As entidades lançaram uma competição que vai premiar com US$ 4 milhões projetos que possam mudar a vida de pessoas com paralisia nos membros inferiores. Os vencedores serão revelados em Tóquio em 2020. O projeto busca equipes em todo o mundo que possam desenvolver tecnologias capazes de melhorar a mobilidade dessas pessoas.

Em conversa com o Meio & Mensagem, August de los Reyes elenca desafios para um design mais inclusivo e ressalta a importância de os profissionais da área repensarem seus conceitos. Ele afirma que “é preciso ter em mente que as incapacidades não são resultado de diferenças físicas ou mentais, mas sim uma incompatibilidade entre as habilidades de uma pessoa, o ambiente onde ela se encontra e os objetos com os quais interage”. Confira:

1 – Repensar a perspectiva da incapacidade

É preciso ter em mente que as incapacidades não são resultados de diferenças físicas ou mentais, mas sim, uma incompatibilidade entre as habilidades de uma pessoa, o ambiente onde ela se encontra e os objetos com os quais interage. Em outras palavras, a incapacidade é projetada. Do ponto de vista da mobilidade, estou interessado em melhorar as experiências em transportes aéreos e terrestres, acomodações em hotéis e circulação em restaurante e bares lotados.

2 – Comece a projetar pensando nas habilidades diferentes e não na acessibilidade

Isso beneficiará todos com ou sem a deficiência. Por exemplo, o objetivo original de um controle remoto de TV era facilitar a rotina de pessoas com mobilidade reduzida que não podiam se levantar facilmente e atravessar a sala para mudar um canal ou ajustar o volume. Hoje, o controle remoto é um acessório que todas as pessoas usam nas televisões.

3 – Todos temos experiências com incapacidades durante a vida

Essas incapacidades podem ser permanentes, temporárias ou efêmeras. Veja essas três situações: 1) alguém que não possa usar os braços devido à paralisia 2) alguém que quebrou o braço e ficará engessado por algumas semanas; e 3) alguém que está carregando pacotes e não consegue usar os braços para outra coisa por alguns minutos. Nas três experiências, há um tipo de incapacidade em escalas de tempo diferentes.

4 – Use a exclusão como um ponto de partida para deixar de lado suposições a respeito das diferenças de habilidades

Você ficaria surpreso se soubesse que há competidores de videogames, respeitados mundialmente, que são cegos? Ou que pessoas na comunidade surda gostam e se engajam com música e eventos musicais? Novamente, deixe de lado suas suposições.

5 – Nós ainda não estamos nem perto de entender o potencial do design em questões relativas à mobilidade!

O design agrega equidade cultural e relevância a objetos, ambientes e experiências. Devemos adicionar esses valores a questões de mobilidade. Pense em óculos como um equipamento médico. Hoje, são vistos como acessórios. O que aconteceria se designers que fazem fones de ouvido descolados utilizassem suas habilidades para ajudar deficientes auditivos? E se designers de carros tipo esporte ou de móveis repensassem as cadeiras de roda? Explore o potencial do design em espaços inesperados.

Fonte: M&M

About the author: Graziela Tamanaha

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